A morte do indígena João Celestino Lima Filho, ocorrida após um conflito fundiário em uma fazenda na cidade de Prado, no sul da Bahia, tem gerado indignação entre lideranças indígenas e movimentos sociais. João fazia parte da Aldeia Reserva dos Quatis, situada no território Comexatibá, e morreu após ser baleado na madrugada da última sexta-feira (4), durante uma ação de retomada de terras.
Lideranças afirmam que o grupo entrou pacificamente na fazenda e realizava manifestações culturais quando foi surpreendido por disparos. Para eles, o episódio reflete o cenário de violência enfrentado pelos povos originários que lutam pela recuperação de seus territórios tradicionais.
“Mais uma vez, sangue indígena é derramado na tentativa de defender o que nos é de direito”, declarou uma liderança da região, que preferiu não se identificar. O caso tem repercutido nas redes sociais e entre organizações de defesa dos direitos indígenas.
A Polícia Civil apreendeu a arma usada no crime, registrada legalmente, e abriu investigação por tentativa de homicídio, esbulho possessório com violência e lesão corporal. Nenhum suspeito foi preso até o momento.
A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) ainda não se pronunciou oficialmente, mas representantes locais pedem a federalização da investigação, alegando parcialidade e omissão das autoridades locais. O clima na região é de tensão e luto.
